Você está com sessenta e poucos anos, solteiro de novo, e um dia percebe que está na hora de virar a página. De sair um pouco, conhecer gente, quem sabe encontrar alguém para dividir o dia a dia.
Aí vem a pergunta: quando foi mesmo o meu último encontro? Para muita gente a resposta é trinta, quarenta anos atrás, com a pessoa de quem hoje está separada ou que já se foi. É natural bater aquela insegurança. As coisas mudaram bastante desde então, e este texto é para explicar o que mudou e o que continua igual.
É mais simples do que parece. Você cria um perfil com uma foto e algumas linhas sobre você, diz o que procura, e o site mostra pessoas da sua idade e da sua região. A partir daí você lê os perfis com calma, manda uma mensagem para quem te chamou atenção, e a conversa segue no seu ritmo. Ninguém é obrigado a responder rápido, e ninguém precisa marcar de se ver antes de estar à vontade.
Não é preciso entender de tecnologia. Se você usa aplicativo de mensagens no celular, já sabe o suficiente. E tudo funciona igual no computador, no tablet ou no telefone.
A primeira coisa é a mais óbvia: você tem mais idade, e isso não é problema nenhum. Muda o tipo de programa, só isso. Um café no fim da tarde, uma caminhada, um almoço de domingo. Encontros tranquilos, em que dá para conversar de verdade, funcionam muito melhor agora do que qualquer coisa arrojada.
A segunda é que a outra pessoa também tem uma história. Provavelmente foi casada, talvez mais de uma vez, tem filhos, netos, compromissos e uma vida inteira que aconteceu antes de você aparecer. Isso vai transbordar de vez em quando. O ex liga no meio do jantar, o filho precisa de ajuda no fim de semana. Não é sobre você e não é falta de consideração. O jeito de lidar é conversar abertamente e combinar o que funciona para os dois.
A terceira é que você também chega com a sua bagagem. Existe uma tentação natural de recriar o que era bom no relacionamento anterior. Vale resistir a ela. A pessoa é outra, e você também não é mais o mesmo. Deixe o novo ser novo, que costuma ser bem mais interessante assim.
Todo mundo precisa de companhia, e ter passado dos 60 não muda nada nisso. A vontade de rir com alguém, de contar como foi o dia, de ter um braço para segurar na rua, continua exatamente a mesma que era aos vinte.
Então respire fundo e comece devagar. Crie o seu perfil, olhe quem está por perto e mande a primeira mensagem quando sentir vontade. O resto acontece no seu tempo.