Antigamente era anúncio de classificado no jornal: três linhas, sem foto, e olhe lá. A pessoa tinha que se resumir em vinte palavras e torcer para alguém ligar. Hoje você tem espaço, tempo e o conforto da sua casa para escrever com calma, e ainda assim muita gente trava na hora de falar de si mesma.
A boa notícia é que não precisa ser um texto bonito. Precisa ser um texto seu. Ninguém está corrigindo redação ali.
Conte de onde você é e por onde já morou. Fale do que ocupa os seus dias: se você cuida das plantas, se cozinha, se caminha de manhã, se ainda trabalha ou se aproveitou a aposentadoria para fazer outra coisa. Diga se tem filhos e netos, se tem cachorro ou gato, e se tiver uma história engraçada do bicho, melhor ainda. Conte da última viagem, mesmo que tenha sido para a casa da irmã no interior.
São essas coisinhas do dia a dia que dão vontade de responder. É bem mais fácil puxar assunto com quem falou do bolo de fubá de domingo do que com quem escreveu apenas "pessoa tranquila, gosto de viajar".
Relacionamento antigo, por exemplo. Falar do casamento que acabou ou de quem já se foi logo no perfil passa a impressão de que a página ainda não virou, e isso afasta. Esse assunto aparece naturalmente mais para a frente, na conversa, e sem precisar de detalhes.
Política, então, é melhor deixar bem longe do perfil. Já temos o grupo da família para isso. Time de futebol é opcional e por sua conta e risco.
Se você empacar na hora de falar do que gosta, escreva sobre o que gostaria de fazer acompanhado. Uma viagem que ainda quer fazer, um lugar que nunca conheceu, um restaurante que quer experimentar, um show que perdeu da última vez. Escrever assim, no "a gente" em vez de só no "eu", faz quem está lendo se imaginar junto, e isso muda tudo.
No fim, a receita é curta: seja sincero, seja positivo e, acima de tudo, seja você mesmo. Dá para melhorar o texto depois, quantas vezes quiser.